Dia 29 de setembro de 2012 morreu, em Lisboa, o designer Robin Fior,
um pensador livre e culto, que em muito contribuiu para dignificar a
profissão e a arte que exerceu durante mais de meia década. Nascido em
Londres, tinha 77 anos de idade, e vivia por paixão em Portugal desde
1972.
Era um designer de comunicação na
verdadeira acepção da palavra, usando a arte da comunicação como forma
de acção social. Ironicamente, no seu trabalho como designer, a síntese,
a concisão e a simplicidade da palavra escrita era um dos elementos
mais marcantes.
Atento, informado e independente construiu a sua visão de uma
sociedade mais justa e equilibrada e usou o design de comunicação para
aquilo que ele melhor representa: uma ferramenta de acção social.
A revolução
de 25 de Abril de 1974 abriu a possibilidade das ideias se
transformarem em realidades. Em 1976, foi
um dos sócios fundadores da Associação Portuguesa de Designers, a
primeira tentativa de criar um corpo representativo da profissão em
Portugal. Integrou desde cedo o Ar.Co. onde leccionou design, e o seu
discurso eclético, sustentado e carregado de subtilezas, fez da
identidade visual desta escola uma referência no contexto nacional.
Robin Fior era um ser invulgar, aéreo, teimoso e surpreendente que
marcou discretamente o design português. Inesquecível deste o primeiro
contacto, era uma personagem única. Pouco dado a cedências e
compromissos foi, por isso mesmo, uma figura pouco consensual e
provocadora, nem sempre capaz de se expressar da melhor maneira, com um
gosto ácido pela inconveniência e pela provocação. Era uma mente livre e
brilhante que emergia numa forma de olhar radiosa, alegre… quase
trocista. Conhecer melhor o seu trabalho e a forma como era feito
prepara-nos para reconhecer o papel social do design de comunicação.